O século XXI tem sido marcado pelo progresso tecnológico e por uma Sociedade da Informação emergente. Se todas as áreas do conhecimento têm sido influenciadas por estas revoluções, também no campo do jornalismo isso se verifica. Exemplo disso, é o aparecimento do ciberjornalismo, também denominado de webjornalismo, jornalismo online, jornalismo electrónico ou jornalismo digital. Como define Kawamoto, jornalismo digital refere-se "ao uso de tecnologias digitais para pesquisar, produzir e distribuir notícias e informação a uma audiência crescentemente versada em computadores". (cit. por Hélder Bastos em Ciberjornalismo e Narrativa Hipermédia [pdf.])
O ciberjornalismo apresenta seis características principais – hipertextualidade, interactividade, personalização, memória, actualização contínua e multimedialidade. Por hipertextualidade entende-se a possibilidade de inter-relacionar diversos textos digitais entre si. Assim sendo, recorrendo a links podemos ter acesso a informação adicional, que orienta os consumidores. Esta característica pressupõe alguma interactividade, na medida em que permite ao utilizador aproximar-se da informação publicada. A título de exemplo, o leitor pode comentar e receber feedbacks ou votar sobre qualquer tema de forma mais rápida. Outro benefício envolve a personalização dos conteúdos. No ciberespaço o internauta pode filtrar as informações que considera relevantes. Recorrendo a um agregador de conteúdos (como a ferramenta RSS) ou através da assinatura de newsletters, a informação pretendida é encaminhada para o indivíduo permitindo-lhe poupar tempo. Há uma outra característica no ciberjornalismo – memória – através da qual podemos guardar grandes quantidades de informação em pouco espaço, podendo esta ser recuperada rapidamente. O ciberjornalismo é ainda caracterizado por uma actualização contínua dos conteúdos. Portanto, podemos ter acesso à informação em tempo real e ainda contribuir para esse constante actualizar de informação. Por último, à capacidade de combinar numa mesma mensagem vários formatos como texto, imagem e som (videocast e podcast), num suporte digital, denominamos multimedialidade.
Dualismos no ciberjornalismo
O ciberjornalismo, considerado o “quarto” género do jornalismo, possui vantagens e desvantagens. Com o advento do webjornalismo proporcionou-se, à escala mundial, um incremento na acessibilidade. Por conseguinte, o mundo tornou-se uma “aldeia global” marcado pela desterritorialização, onde se esbatem fronteiras. Isso sugeriu ainda uma maior proximidade entre o leitor e o jornalista, podendo um encarnar o papel do outro – jornalismo participativo. Outra das vantagens é a facilidade de arquivo e documentação, uma vez que não há limites de espaço e tempo. Neste sentido, verifica-se uma convergência na tendência para a personalização e actualização constante da informação. E, como referido, o recurso a diferentes suportes multimédia articulado com a lógica do hipertexto, constituem outras das mais valias.
No entanto, o internauta vê-se confrontado com a abundância de informação, o que reflecte perdas de tempo significativas e até uma menor credibilidade nos conteúdos, isto porque não há controlo sobre o que se divulga. Da mesma forma, o excesso de links aliado à sua má utilização, pode fazer com que os utilizadores se “percam” da sua ideia inicial. Com a chegada do jornalismo digital assistiu-se também a um decréscimo no investimento na investigação jornalística, o que levanta a questão da credulidade e objectividade neste novo meio. Finalmente, é de salientar que as assimetrias sócio-económicas têm repercussões a nível global, que se traduzem na info-exclusão derivadas do fosso digital.
Quem é o ciberjornalista?
Com o apogeu da Sociedade da Informação o jornalista foi confrontado com o novo paradigma mediático, tendo de se readaptar. Assim sendo, as competências do ciberjornalista não se resumem a redigir texto, mas também a explorar e aplicar todos os formatos possíveis, no intuito de cativar novos públicos.
Nesta lógica, o novo jornalismo alarga-se a toda a população ao incentivar uma participação mais activa e cooperante. Destacam-se aqui algumas das formas de jornalismo-cidadão: jornalismo participativo, colaborativo e de código aberto. No primeiro caso, o cidadão assume o papel de comentador, enquanto que no segundo, há uma maior dinâmica uma vez que, o indivíduo contribui activamente na produção de conteúdos mediáticos. Já o jornalismo de código aberto diz respeito à possibilidade que qualquer utilizador tem de criar e alterar informação no cibermeio (ex. Wikipedia).

Um comentário:
A reportagem tem muita informação, mas está pouco interactiva e, portanto, pouco ciberjornalística.
No início vocês citam Kawamoto, mas não dizem quem ele é. Apenas referenciam de onde foi tirada a informação e disponibilizam um link. Achei que o link está adequado, mas, mesmo assim, deveriam ter dito quem é essa pessoa para estar ali em destaque.
No geral, vejo que estão no caminho certo.
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